Capital digital e desigualdades regionais reveladas pelo desempenho dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no período de 2015 a 2023
DOI:
https://doi.org/10.18265/2447-9187a2026id9298Palavras-chave:
social inequalities, high school, ENEM, digital capital, educational assessmentResumo
O ENEM representa a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, mas persistem disparidades regionais no acesso e desempenho dos candidatos. Foram objetos deste estudo a análise do perfil socioeconômico e o desempenho de candidatos do ENEM nas cinco regiões brasileiras, com ênfase no impacto do acesso à informática. Trata-se de um estudo longitudinal descritivo-analítico com dados de aproximadamente 33 milhões de candidatos que realizaram ambos os dias de prova no ENEM entre 2015 e 2023, obtidos dos microdados do INEP. Foram analisadas tendências temporais de participação, perfil demográfico (idade, região), acesso tecnológico (internet) e desempenho nas cinco áreas avaliadas (Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens e Códigos, Matemática e Redação). Observou-se que o número de inscritos reduziu 51% no período. A participação nos dois dias de prova manteve diferença inter-regional estável (≈5%), exceto em 2020 (≈8%, impacto covid-19). A proporção de candidatos entre 17-25 anos apresentou alta consistente, com aceleração em 2017 e 2020-2022. O acesso à internet evoluiu de forma heterogênea: Sul/Sudeste atingiram ≥95% (2021-2023), enquanto o Norte subiu de 40% para 81% no mesmo período. Todas as áreas de conhecimento apresentaram pontos de inflexão sincronizados em 2017-2019, com recuperação gradual pós-2020. As assimetrias regionais persistentes, particularmente em acesso tecnológico, indicam necessidade de políticas públicas focalizadas para redução das desigualdades educacionais.
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