Estágio docente no curso de administração: uma análise da atividade do discente-professor

Paula Mara Costa de Araujo

ORCID iD Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Brasil

Monica de Fátima Bianco

ORCID iD Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Brasil

Kleyton Teixeira Valadão

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Brasil

Rebeca Boreli de Anchieta

ORCID iD Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Brasil

Resumo

O objetivo desta pesquisa foi compreender o processo de formação de professores universitários por meio do estágio docente no curso de Doutorado em Administração de uma universidade pública brasileira. A pesquisa foi fundamentada no aporte teórico-analítico da ergologia e na análise da atividade de trabalho dos discentes professores atuantes no 1º semestre letivo de 2018 para compreender como eles imprimem, em suas ações, os seus valores, as suas escolhas e crenças perante um conjunto de normas instituídas e um contexto organizacional instaurado. Os resultados da pesquisa apontam para o fato de que os participantes percebem a relevância do papel do professor e das relações interpessoais nesse contexto, dando importância a suas relações com os alunos e demandando uma maior interação com o professor tutor e com a coordenação do programa, de forma a cooperar com o processo de formação docente. Os discentes participantes utilizam os seus saberes e refletem sobre a dinâmica do aprender a ensinar; apesar de preocupados com as normas antecedentes, eles não hesitam em alterar a forma de trabalhar para melhor ajustarem a metodologia e os conteúdos aos alunos e a suas singularidades.

Palavras-chave


Estágio docente; Ergologia; Formação de professores


Texto completo:

Referências


BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011.

BARRETO, T. A. Imagens do professor formador de docentes de E/LE: o trabalho invisível. In: Simpósio Nacional Discurso, Identidade e Sociedade, 3., 2012, Campinas. Anais [...]. Campinas: UNICAMP, 2012.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 3 mai. 2018.

CAIRES, S. Vivências e percepções do estágio pedagógico: contributos para a compreensão da vertente fenomenológica do “Tornar-se professor”. Análise Psicológica, Lisboa, v. 24, n. 1, p. 87-98, 2006. Disponível em: https://www.publicacoes.ispa.pt/index.php/ap/article/viewFile/156/pdf. Acesso em: 3 mai. 2018.

CHAMLIAN, H. C. Docência na universidade: professores inovadores na USP. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 118, n. 1, p. 41-64. 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16829.pdf. Acesso em: 10 mai. 2018.

DURAFFOURG, J.; DUC, M.; DURRIVE, L. O trabalho e o ponto de vista da atividade. In: SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. (org.). Trabalho & Ergologia: conversas sobre a atividade humana. 2. ed. Niterói: EdUFF, 2010. p. 47-87.

DURRIVE, L.; SCHWARTZ, Y. Glossário da ergologia. Laboreal, Porto, v. 4, n. 1, p. 23-28, 2008. Disponível em: http://laboreal.up.pt/files/articles/2008_07/pt/23-28pt.pdf. Acesso em: 30 abr. 2018.

ENGEL, E. P. J.; VOLPATO, G. Profissional Liberal na Universidade: a Constituição do Saber Docente no Início de Carreira. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, Londrina, v. 17, n. 3, p. 266-275, 2016. Disponível em: http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/ensino/article/view/4166. Acesso em: 15 set. 2018.

FREIRE, P. Carta de Paulo Freire aos professores. Estudos avançados, São Paulo, v. 15, n. 42, p. 259-268, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000200013. Acesso em: 13 mai. 2008.

GARNICA, A. V. M. Algumas notas sobre pesquisa qualitativa e fenomenologia. Interface — Comunicação, Saúde e Educação, Botucatu, v. 1, n. 1, p. 109-122, 1997. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32831997000200008. Acesso em: 3 out. 2018.

HAIR, J.; BABIN, B.; MONEY, A.; SAMOUEL, P. Fundamentos de métodos de pesquisa em administração. Porto Alegre: Bookman Companhia Ed, 2005.

HOLZ, E. B.; BIANCO, M. F. Ergologia: uma abordagem possível para os estudos organizacionais sobre trabalho. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 12, 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-39512014000700008. Acesso em: 3 mai. 2018.

JOAQUIM, N. F.; BOAS, A. A. V.; CARRIERI, A. P. Estágio docente: formação profissional, preparação para o ensino ou docência em caráter precário? Educação & Pesquisa, São Paulo, v. 39, n. 2, p. 351-365, jun. 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ep/v39n2/a05v39n2.pdf. Acesso em: 10 jul. 2018.

MORAES, R. Análise de conteúdo. Revista Educação, Porto Alegre, v. 22, n. 37, p. 7-32, 1999. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4125089/mod_resource/content/1/Roque-Moraes_Analise%20de%20conteudo-1999.pdf. Acesso em: 10 jul. 2018.

PEREIRA, J. R.; SOUSA, C. V.; BUENO, N. X.; SANTOS, L. T. Pedagogia fast food: estágio docente e a formação de professores. Teoria e Prática em Administração, João Pessoa, v. 8, n. 1, p. 47-74, 2018. Disponível em: http://www.periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/tpa/article/view/36797. Acesso em: 15 jun. 2018.

PIMENTA, S. G.; GHEDIN, E. Professor reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um conceito. São Paulo: Cortez, 2002.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO. Programa de Pós-Graduação em Administração. Resolução nº 002, de 01 de abril de 2016. Estabelece regras para a realização de estágio docente dos alunos do doutorado do PPGADM. Espírito Santo: Programa de Pós-Graduação em Administração, 2016. Disponível em: http://www.ppgadm.ufes.br/sites/administracao.ufes.br/files/field/anexo/resolucao_002-2016_-_regras_para_realizacao_de_estagio_docente_dos_alunos_do_doutorado.pdf#overlay-context=pt-br/formularios-academicos-e-resolucoes. Acesso em: 3 mai. 2018.

SCHWARTZ, Y. A comunidade científica ampliada e o regime de produção de saberes. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 7, p. 38-46, 2000. Disponível em: https://seer.ufmg.br/index.php/trabedu/article/download/7592/5879. Acesso em: 1 abr. 2018.

SCHWARTZ, Y. Circulações, dramáticas, eficácias da atividade industriosa. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 33-35, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tes/v2n1/04.pdf. Acesso em: 1 abr. 2018.

SCHWARTZ, Y.; DURRIVE, L. Trabalho & ergologia: conversas sobre a atividade humana. Niterói: EdUFF, 2007.

SCHWARTZ, Y.; DUC, M.; DURRIVE, L. A linguagem em trabalho. In: Schwartz, Y.; Durrive, L. (org.). Trabalho & Ergologia: conversas sobre a atividade humana. 2. ed. Niterói: EdUFF, 2010. p. 131-148.

SCHWARTZ, Y. Manifesto por um ergoengajamento. In: Bendassolli, P. F.; Soboll, L. A. Clínicas do Trabalho: novas perspectivas para a compreensão do trabalho na atualidade. São Paulo: Atlas, 2011. p. 132-66.

SCHWARTZ, Y. Motivações do conceito de corpo-si: corpo-si, atividade, experiência. Letras de Hoje, v. 49, n. 3, p. 259-274, jul./set., 2014. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php /fale/article/view/19102/0. Acesso em: 17 set. 2018.

SILVA, J. A.; SANTOS, C. M. M. A atividade de trabalho sob a perspectiva ergológica de Yves Schwartz. In: SEMINÁRIOS EM ADMINISTRAÇÃO, 20., 2017, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: USP, 2017.

SOUZA, E. M. de; BIANCO, M. F. A. Ergologia – uma alternativa analítica para os estudos do trabalho. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE SOCIOLOGÍA DEL TABAJO, 5., 2007, Montevideo. Anais [...]. Montevideo: ALAST, 2007. Disponível em: http://www.roseillimite.com.br/wp-content/uploads/2017/03/ADM-Ergologia.pdf. Acesso em: 17 set. 2018.

TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002.

TELLES, A. L.; ALVAREZ, D. Interfaces ergonomia-ergologia: uma discussão sobre trabalho prescrito e normas antecedentes. In: Figueiredo, M. et al. (orgs.). Labirintos do trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. p. 63-90.

TRINQUET, P. Trabalho e educação: o método ergológico. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, v. 10, n. 38e, p. 93-113, 2010. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/38e/art07_38e.pdf. Acesso em: 13 ago. 2018.


DOI: http://dx.doi.org/10.18265/1517-03062015v1n47p24-36

O arquivo PDF selecionado deve ser carregado no navegador caso tenha instalado um plugin de leitura de arquivos PDF (por exemplo, uma versão atual do Adobe Acrobat Reader).

Como alternativa, pode-se baixar o arquivo PDF para o computador, de onde poderá abrí-lo com o leitor PDF de sua preferência. Para baixar o PDF, clique no link abaixo.

Caso deseje mais informações sobre como imprimir, salvar e trabalhar com PDFs, a Highwire Press oferece uma página de Perguntas Frequentes sobre PDFs bastante útil.

Visitas a este artigo: 1081

Total de downloads do artigo: 591