Granito Azul Sucuru: caracterização tecnológica por meio do aproveitamento do material

Lúcio Flávio Moreira Cavalcanti

ORCID iD Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Brasil

Felisbela Maria da Costa Oliveira

ORCID iD Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Brasil

Evenildo Bezerra de Melo

ORCID iD Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Brasil

Amanda Cristiane Gonçalves Fernades

ORCID iD Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Brasil

Resumo

Neste estudo busca-se apresentar possibilidades de um aproveitamento dos rejeitos do Granito Azul Sucuru, cuja jazida, que encontra-se desativada, situa-se na região do Cariri Paraibano, no município de Sumé-PB. Foram determinados os índices físicos deste material que apresentou os seguintes valores: densidade 2660 kg/m3 ; porosidade 0,26% e absorção 0,10%, sendo estes índices compatíveis com aqueles propostos pela NBR 15844 – requisitos para granitos como material de revestimento. Partindo de visitas de campo, coletamos materiais oriundos do rejeito, os quais foram britados, e, de cem fragmentos selecionados, identificaram-se valores de comprimento, espessura e largura, analisados à luz da NBR 9654. O agregado grosseiro produzido apresenta grande percentual de material cúbico (64%) e 36% de material alongado/lamelar. Assim, a utilização de britas alongadas/lamelares na confecção de concretos reduz sua resistência, com o aumento da porosidade e da possibilidade de segregação da argamassa quando do adensamento do material nas formas. As britas fabricadas a partir do material, portanto, embora apresentem boa resistência às ações intempéricas por conta de sua composição mineralógica (baixo conteúdos em minerais ferromagnesianos e 60% de feldspatos alcalinos), podem ser usadas na confecção de concretos, desde que se tenha precauções quanto à forma e dimensão do grão, para evitar que fiquem presas entre as barras de aço que compõem a armadura e dificultem o adensamento do concreto, podendo causar problemas como segregação da mistura e vazios nas formas. Tais britas, entretanto, não servem para constituírem lastros de vias férreas, pois apresentam 36% de partículas alongadas/lamelares quando, neste uso, o máximo permitido é de 10%. Apesar disso, conclui-se que é possível uma melhor viabilidade econômica e ambiental para os blocos que não são aproveitados com finalidade ornamental, de modo que os rejeitos possam ser aproveitados sob a forma de brita para a indústria da construção civil. 

Palavras-chave


Granito Azul Sucuru; Brita alongada lamelar; Minerais


Texto completo:

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DOI: http://dx.doi.org/10.18265/1517-03062015v1n33p11-20

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